Aos Idos, Amigos e Vividos.
Quando eu tinha 15 anos jurava que aos trinta, no mínimo, seria menos palmeirense.
Achava incrível o meu pai perto dos 40 parecer um garoto de 15 ao acompanhar o jogo do Palmeiras.
Tios palmeirenses e corintianos também, de idade adulta consagrada, responsabilidade exalada pelos poros, lá estavam onde sempre estiveram: torcedores.
Minha avó Mirinha, octogenária com orgulho da bela vida que teve e muito ainda terá, chega a ter calafrios quando o ‘Corinthians dela’ joga.
É desse sentimento que a coluna de hoje trata, o respeito àquilo que somos. Não existe idade para que expressemos o que de amor temos a algo.
Também achava eu que, assim que envelhecesse, perderia o tom vermelho da tinta que rabiscava os meus princípios como ser humano.
E lá idade é mata-borrão?
Essa semana foi interessante quando se expôs, por questões díspares, a relação entre o urgentíssimo apelo à novidade com o que a maturidade tem produzido.
Mídia-a-mídia houve uma sequência de comparações cujos critérios parecem perdidos na referência. Por exemplo, compararam a atuação do músico adolescente Justin Bieber ao piano via Youtube ao que Caetano tem produzido, como se a relação estabelecesse que Caê estivesse em derrocada criativa. Ou mesmo o PSDB reavendo com as suas indecisões o fato de malsucedidamente ter apostado no “garotão” Índio para vice de Serra: era necessária uma daquelas raposas velhas?
No esporte, até agora fica no ar a pecha entre o jovem Neymar e o titio Dorival Júnior.
No esporte além, veremos uma mescla bruta: o vôlei masculino cubano montou uma seleção fenomenal de jovens. Derrotou o experiente Brasil. Depois perdeu para a madura Sérvia. No Mundial de basquete feminino, as já conhecidas e notórias favoritas a melhores jogadoras confirmam os favoritismos.
Milan, o time italiano de futebol, exibiu uma novidade essa semana. O meia Clarence Seedorf, jogadoraço holandês, passou a cumprir a função de Kaká. O clube busca um jovem que se destaque, após a saída de Kaká virou obsessão. Mas o ‘vovô’ holandês foi quem brilhou.
Para quem tem 30 anos, os times brasileiros de hoje nem de longe lembram os da década de 90. Para quem tem 15, crescer vendo Ronaldinhos, Kaká, Neymar, Ganso, dá em outra referência. Mas saber que em 2005 o vice-artilheiro do Brasileirão fazia 20 gols e hoje um cara com 13… 15… gols, periga ser artilheiro isoladíssimo… O põe saudosista.
Ou seja, ser sujeito! Sejamos aquilo que somos!
Sujeito a tudo, inclusive ao tempo.
Afinal de contas, feliz é o vovô que nega o presente por ter visto Pelé, ou o netinho que delira nos dribles do Neymar, mas não viu nem um videoteipe do que foi Pelé em campo?
Sem conflito de gerações, o Academia da Bola vai ao ar ao vivo hoje às 21h30min, acreditando que você quer um debate democrático, esportivo, bacana.
Isso depende de idade?
Saudações Palestrinas,
Prof. Leandro Romanini
@LeandroRomanini
http://www.academiadabola.wordpress.com
_______________________________________


