Coluna da Núbia- O QUE NÃO SE VÊ

Coluna da Núbia- O QUE NÃO SE VÊ

O QUE NÃO SE VÊ

Núbia Tavares

Pra começo de conversa:

Prezados irmãos de sangue verde. Quero iniciar esse espaço aqui na Rádio Estação Palestra dizendo que é uma honra poder falar sobre aquilo de nos une e torna 15 milhões de desconhecidos irmãos: o Palmeiras. Sou palmeirense desde que me entendo por gente e não consigo imaginar como seria a minha vida sem essa paixão. Por isso, cada coluna, cada frase, cada palavra que direi nesse espaço será, antes de qualquer coisa, movida por essa paixão.

Nunca me entusiasmei a escrever sobre o Palmeiras além do que já digo diariamente no meu twitter. Mas, conforme passei a participar mais ativamente do dia-a-dia do clube, acompanhando a política, senti uma necessidade de dividir com todos um pouco do que é o Palmeiras dentro dos muros da Turiassú e Matarazzo. Principalmente, porque tudo aquilo que vemos em campo e que nos desilude (principalmente nos últimos tempos) é apenas o reflexo do que é a Sociedade Esportiva Palmeiras no seu dia-a-dia.

Por isso, dentro das possibilidades e, considerando que não sou nada além de uma sócia que tenta ao máximo colaborar para o contínuo crescimento do nosso amado clube, esta coluna contará um pouquinho de como funciona a direção o clube, como é feita a política e o que esperar dos nossos dirigentes.

O que não se vê:

Escolhi esse termo para ser o título da minha primeira coluna aqui no site da Estação Palestra porque acredito que o principal problema na relação torcida/clube está naquilo que não se vê (ou que nós torcedores não conseguimos ver).

O Palmeiras, hoje, é uma bagunça. Surpreende-me que ainda estejamos entre as grandes potências de futebol do país (e se estamos, é por conta da força da nossa torcida – sem mais). Infelizmente, aqueles que são responsáveis por tomar decisões que afetam a nossa imensa torcida estão perdidos em uma briga sem fim pelo poder em que cada procura apenas garantir o seu – e pouco se importa com aquilo que é a razão de ser do Palmeiras, que é o futebol. Se a desorganização interna se refletisse em campo e apenas ela, estaríamos hoje jogando a série D e olhe lá.

Nós, que sofremos com a parcela podre da arbitragem e da imprensa, sempre disposta a atrapalhar o Palmeiras, temos a tendência de simplesmente achar que o problema está do outro lado. E ele está. Mas não só lá.

Pego como exemplo o episódio dos palhaços. Algo que começou com dois repórteres sem relevância NENHUMA tomou proporções absurdas, a ponto de só se falar do Felipão/palhaços na imprensa, nada mais. Parte da culpa está no corporativismo de parte da imprensa. Outra parte está nos péssimos profissionais que temos hoje no jornalismo, sem compromisso nenhum com o código de ética, ou simplesmente em exercer direito a profissão. Mas, sinto informá-los de que a maior parte da culpa é nossa mesmo. Não de nós torcedores. Mas dos nossos dirigentes que estão pensando apenas nas eleições e estão se digladiando dentro do clube, preocupados em preparar dossiês e garantir seus votos.

Enquanto isso, há quase 15 dias o nosso técnico está sendo xingado, acusado, massacrado por grande parte da imprensa. Alguém viu algum dirigente do Palmeiras sair em defesa do Felipão? Essa postura passiva e alheia aos problemas do time fica ainda mais agravante quando somos obrigados a ver dirigente do SPFC defender o Felipão e nenhuma palavra sai da diretoria de futebol, do presidente, ou de quem quer que seja.

Infelizmente, o Palmeiras, internamente, mais é uma briga que lembra o filme O Poderoso Chefão do que preocupação com a grandeza do nosso time. Rasteiras, golpes, traições, troca de favores e brigas por uma carteirinha de diretor (seja de bocha ou patinação) é o que dita o tom do clube. Futebol? Ah, isso que fique para depois das eleições.

Infelizmente, por mais que a torcida tenha acordado para todos os problemas que vivem o clube após o rebaixamento para a série B em 2002, as décadas de decisões errada dos donos do feudo Palmeiras levaram o clube a uma situação complicadíssima de se mudar em curto prazo. Os problemas passam pelo nosso estatuto ultrapassado e reacionário (que impede a oxigenação do conselho do clube, retarda a entrada de novos sócios e deixam a eleição pra presidência na mão do conselho), pela falta de vontade política para mudar as coisas, pela mentalidade tacanha de quem está lá e, principalmente, pelo trabalho daqueles que não querem largar o osso e desejam continuar ganhando à custa da paixão de milhões de torcedores faz contra aqueles que desejam um Palmeiras moderno, vitorioso e profissional.

Por isso, você torcedor que não consegue entender essas coisas que só acontecem com o Palmeiras em campo, acredite: mais do que o árbitro ou a imprensa, a culpa é daqueles que hoje estão no clube e tratam o futebol como se fosse algo em segundo plano. O motivo indireto – e principal – daquilo que nos faz sofrer tanto está naquilo que não se vê: a política da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Finalizando por ora

Bom, essa conversa começa aqui, mas não cessará por cá. Dado um panorama inicial, vamos falar nas próximas colunas sobre os grupos políticos, as eleições e tudo o que está em jogo nos próximos meses no clube. E como isso impactará a nossa principal paixão, que é o futebol.




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