Valdívia cria polêmica em entrevista

Valdívia cria polêmica em entrevista

Por Marcos Paulo
@mpauloep

A divulgação de que Valdívia deveria ter assinado um documento antes de sair para as férias irritou o jogador. Em entrevista exclusiva a Rádio Eldorado/ESPN, o meia desabafou. Mago não poupou críticas ao diretor Wlademir Pescarmona e disse: “Se o Palmeiras me quiser, vai ter de começar a me respeitar”

Confira alguns trechos da entrevista:

Que documento era esse? Você tinha que assinar?

- Não era um documento pra todo mundo. Quem falou isso, está mentindo. Estão falando que era um documento pra quem saiu de férias, machucado. Isso é mentira de novo. Ninguém assinou este documento. Esse documento não é legal. Tinha uma multa de 40%. Todo mundo saiu de férias, tranqüilo.

Você acha que o Palmeiras está te pressionando? Por que foi feito isso?

- Não sei. O Palmeiras já me pressionou. Quando cheguei, a programação era de 15 a 25 dias. Eu fui obrigado a jogar antes de ficar pronto. Isso ninguém falou nada. Eu fiquei cinco jogos jogando machucado. Eu não conseguia jogar, mas fui lá porque eu gosto do Palmeiras, por que eu acho que sou importante para o Palmeiras. As pessoas investiram muito para me trazer de volta, mas joguei machucado.
Quando as pessoas falam de mim, tentando me botar contra o torcedor palmeirense, isso eu não vou agüentar.

Quem te obrigou a jogar? Quem fazia essa pressão em você?

- Isso daí é bem claro. Tem um treinador que manda, bota pra jogar, que escala. Ele precisava de mim, eu fui lá e joguei. Só que quando não deu pra jogar mais, começou a falar que eu não ia para o tratamento médico, que eu estava saindo, entendeu? Eu não vou agüentar isso. Chega. Chega de agüentar as pessoas falarem mal de mim. O Departamento Médico também foi pressionado para que eu jogasse. Então, eu não vou agüentar mais.
Se o Palmeiras quiser o Valdívia em 2011, eles vão começar a me respeitar. Desde janeiro. Se não, beleza. A gente vai sentar e tentar uma solução. Eu gosto do Palmeiras, mas não vou agüentar as pessoas falarem mal de mim.

Essas pessoas que falaram que você estava saindo, não estava fazendo tratamento. Foi lá dentro do Palmeiras?

- Eu não sei se é de dentro do clube. Por que quando você fala de frente com as pessoas, elas falam “é mentira”. Quando o Pescarmona falou que talvez meu problema era psicológico, eu fui lá e falei com ele. Ele disse “não, eu nunca quis falar isso. Eu quis tirar sarro da imprensa”. Então quando a gente quer esclarecer, as pessoas nunca falam “foi isso mesmo que falei”.
Por isso que estou falando isso agora- se o Palmeiras quiser que eu volte em 2011,eles vão ter que me respeitar desde janeiro.

Isso incluindo o técnico?

Todo mundo. Porque eu nunca falei mal de técnico. Quando eu tive problema com o Felipão, nunca fui lá na imprensa e falei. Mas o técnico falou “se não gostar do Palmeiras, tem uma porta que entra e que sai”. Eu nunca falei nada.
Todo mundo tem direito de falar. O nosso diretor, o Pescarmona, fala mal dos jogadores, do time, e o jogador não pode falar? Chega, isso comigo não vai acontecer mais.

Nesse momento você não vai tomar nenhuma atitude, você vai esperar a reapresentação. É por aí?

- O que eu tô tentando falar é que as pessoas que falaram isso, é mentira. Esse documento foi exclusivo pra mim, desconfiando de mim. Como se eu não fosse me tratar, fosse voltar machucado. Eu voltei dos Emirados Árabes ganhando menos. Tem salários atrasados comigo, tem pendências. Nunca falei nada, nunca fui a imprensa dizer que eles estavam me devendo. A única coisa que fiz foi tentar ajudar o Palmeiras machucado. Isso, ninguém fala.

Eu ia te perguntar isso. O Kléber falou que tinha umas pendências…

- Isso daí, a pendência, da primeira vez foi a mesma coisa. Mas o Palmeiras paga. Atrasa um, dois, demora um par de dias, mas paga. Eu confio no pessoal que trabalha lá. Eu gosto do Belluzzo, uma pessoa excelente, um cara muito cavalheiro. O Palaia a mesma coisa. Mas eu não vou agüentar algumas pessoas que trabalham no Palmeiras que falam mal de mim. Isso eu não vou aceitar.

Pelo que eu entendi, apesar de todo esse carinho que você tem pela torcida do Palmeiras, você não continua no ano que vem se isso não mudar?

Se no seu local de trabalho as pessoas tentarem te complicar, é melhor dar um passo fora. É melhor cair fora. Se você está jogando, todo mundo te quer, todo mundo gosta de você. Mas aí machuquei, fui até romper, rompeu, passei a ser o vilão, o rebelde. Não é uma advertência, uma intimação, mas isso tem que mudar comigo. Eu não sou um jogador jovem que está chegando no Palmeiras. Eu tenho uma história. Se ela é curta, sem títulos, mas mesmo assim, a molecada gosta de mim. Eu voltei porque minha família gosta, eu gosto do clube. Eu tive propostas do São Paulo, do Cruzeiro, do Flamengo e recusei todas.

Como eu gosto do Palmeiras, o Palmeiras vai ter que começar a me respeitar. Se não, a gente vai ter que sentar, vai discutir tudo. Se o treinador está descontente comigo, se a diretoria está descontente, beleza, a gente fecha o contrato. Mas eu não vou agüentar que as pessoas falem mal de mim.




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